quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A flor



A Flor from Michelle Cavalcanti on Vimeo.

Música de Erik Satie

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Em São Paulo...

Anseio. Fome. 3h55.
... Mais uma madrugada em claro de uma noite pouco iluminada. Hoje a lua resolveu se esconder. Ela que sempre me rouba o olhar. Ela que parece estar embriagada ao me escutar. Ela capaz de me desviar do rumo. Ela, minha companheira de vinho e confissões, me pregou uma peça. Sumiu. Busquei pelo céu. Em algum reflexo de água, mas foi inútil. Não a encontrei. Devo me conformar com esta solidão pelo resto de horas que faltam para o nascer do sol. O que faço? Penso em você. Em seus olhos. Mãos. Boca. Sexo. Assisto a uma mistura de lembranças. Sonhos. Vida. Vivo. Sim, eu vivo ao teu lado, no céu da tua boca. Cheirando a tua pose, teu andar desajeitado. Engolindo teu sorriso amarrado, tua pele excitada. Sentindo tua cara contrariada, teus apertos. Imagino. Invento histórias de nós dois e tudo parece menor. Como se o mundo estivesse às voltas e nós apenas continuássemos caminhando. Ilesos. A incerteza me vigia de longe, enquanto eu atravesso esta breve ou longa noite. Experimento um tremor cálido e tentador por não saber. Porém devo admitir eu adoro o escuro. Tateio. Estranhezas de um universo ambíguo. Feminino. Histérico. Louco a borbulhar flashs de poesia. Sem dor. Com dor. Libidinosas palavras que a cabeça conta e reconta. Sanguíneas. Esta ausência lunar deverá me modificar. E eu gosto disso. Respiro profanos deslizes nas profundezas da cidade. Nas profundezas das minhas entranhas. Que desordem adorável. Caótica, eu! Santifico o mal que há em mim como se dele não precisasse. Como se dele também não fizesse morada. Evoco limpidez. Sim, há pureza na lua. No entanto hoje, justamente hoje, ela resolveu se mascarar neste negro céu. Onde você está? Figurou-se em rastro. Em aroma lascivo a cutucar meu sono. Sinto teu corpo tocar o meu. Pêlo com pêlo. Gozo seu hálito. De cachaça vagabunda. Aperto sua camisa amarrotada, em intermitências de um corpo atordoado. Tremo. Não há frio, nem calor. Há apenas eu. Você? A lua? Eu apenas. Fecho os olhos para deixar que esta sensação me penetre aos poucos. Solidão. Deite comigo. Me possua. Desgaste o gasto. Saboreio uma invasão de fantasias. Jorro o vinho corrompido. Lambuzo meu suor. Você merecia um brinde agora, mas não resta uma gota. Noite bordada à mão. Ponto a ponto. De um tempo a dissipar cintilantes fagulhas de meu modo pouco regrado. Fito de perto. Ventilo imagens, sons, grunhidos. E eu sei estamos caminhando. Amanhecendo. Guarde tudo o que te confiei. Murmúrios de noites indignadas. Danadas. Indagadas. Desejadas. Sagradas. Maquiadas. Perturbadas. Ó casta lua reserve meus segredos, meus discursos, meus prenúncios, minhas sentenças, já que tudo é criação. Imaginação. O real morre a cada instante e se transforma em recordação. História. Poesia. Projeção futura. Promessa. Minha prosa. Meu verso violado. Meu riso inacabado. Meu horror desesperado. A única verdade é o Amor. Ele sim é inviolável. Você é o meu Amor materializado. Meu Amor heróico. Meu Amor sujo. Meu Amor puro. Meu Amor. Desatinada madrugada me escondeu a lua. Desatinada vida me mostrou você. Minha verdade escancarada. Minha vontade desmedida. Minha glória e minha ruína. Eu. Apenas.
Nesta madrugada o sol surgiu brilhando forte. Emanou luz.
Clareou, para enfim, findar-me.

(depois de Marçal Aquino em "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios")

segunda-feira, 19 de julho de 2010

ECOA

Eu não quero merecer ninguém. E acrescento ninguém tem que me merecer. Para estar junto de alguém basta um querer mútuo. Uma vontade, além da vontade. Esse papo de merecimento é coisa de quem vê os outros por cima e me soa muito cristão. "É necessário o calvário para se atingir o paraíso". Enfim, para manter esta pequena sanidade que me resta eu prefiro o céu e o inferno caminhando lado a lado. Eu sou um pouco dos dois. Assumo.
Sinto o que minto
Tinto o que pinto
Bendito seja Maldito!

domingo, 27 de junho de 2010

La Mariposa está

inspirada.

(pirada, irada, dá)

Com vontade de comer maçã!

sábado, 5 de junho de 2010

tudo pode dar certo

Uma sequência de improbabilidades gera o acaso, a única coisa provável. A vida é tão incrível. Eu gosto muito disso.
"Que o acaso nos proteja. Sempre.
Amém."

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Chão de estrelas

da série "Olha para o céu, meu amor"

domingo, 30 de maio de 2010

La Mariposa está

Entre o céu e a terra.
Tocando o ar. De olhos abertos.
Tateando o mar. Sorrindo.
Trocando o ar. De olhos fechados.
Traqueando o mar. Apenas indo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O vento II


O vento vai dizer
lento o que virá
E se chover demais,
a gente vai saber
claro de um trovão
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bom dia



Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
Drummond



Faz silêncio aqui dentro
Sinal de que outrora havia grande euforia


Sinfonia em tom maior

Uma palavra para ser esquecida
Um sorriso para ser lembrado


Mãos perdidas

"Por favor, feche a porta e não abra a janela.
Eu quero anoitecer"


A chaleira esperando pelo chá
Um quadro torto na parede


Qual filme será?

Ela tão distraída
Ela tão presente


Trocando passos tímidos

"Por favor, desligue a TV e deixe a chave em cima da mesa.
Eu quero sonhar"


As bonecas não mudam de face
O relógio segue a sua missão


Enquanto os cabelos embaraçam ao vento

Um corpo sem pretensões
A mente em devaneios sãos


Dançando fragmentos

"Por favor, deixe as minhas gavetas abertas e apague a luz.
Eu quero amanhecer"


Dúvidas para serem visitadas
Certezas para serem mudadas


Com a boca seca e casta

Há momentos para negar sins
Há momentos para aceitar nãos


Em uma vida de começo meio e fim

"Por favor, leve as minhas meias e deixe a música tocar.
Eu quero acordar"


Bom Dia
música: Gymnopédie n 1, de Erik Satie

segunda-feira, 26 de abril de 2010

E onde a sorte há de te levar.
Saiba o caminho é o fim, mais que chegar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A flor

Singela flor.
Tão bela. Tão plena. Tão serena.
Passeia para além do horizonte.
Entre as espumas da água do mar.
Leve o que eu não posso compreender.
Deixe aquilo que eu possa absorver.
Singela flor.

Em uma longa tarde de quem sou eu...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Para muito além de um sorriso

Silenciosamente sorrio
verdades absolutas
verdades imaginadas
verdades esquecidas
verdades malditas
verdades reveladas
verdades não ditas
verdades descoradas.
Sorrio em verde e vermelho.

domingo, 11 de abril de 2010

O vento


- Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer.
E isso, eu vi, o vento leva...

domingo, 4 de abril de 2010

(...)

Após uma longa tarde de (...), a chuva resolveu se impor sobre Catarina.
Silenciou pensamentos.
Permitiu sensações.
Gotas grossas no corpo, vento fresco no rosto.
A chuva absoluta. E Catarina?
Catarina apenas fechou os olhos, sem proteger-se.
Ela era apenas um corpo desprevenido caminhando.
Caminhando molhado.
Caminhando enxarcado.
Experimentou o frio, o calor, a algeria, o caos, a dor. Tudo.
Corrompida pela plenitude da natureza, Catarina apenas sorriu aquele sorriso satisfeito.
De quem gosta de estar despreparada.
De quem gosta de ser surpreendida.
De quem gosta de não esperar por nada.
A tarde terminou exata e em paz, pedindo uma noite estrelada.

- imposição s. f. 1. Ato de impor ou de impor-se. 2. Coisa imposta. 3. Ordem a que se tem de obedecer. 4. Ato de conferir. 5. Colocação de insígnias. 6. Ato de infligir. 7. Tributo, imposto.
- desprevenir v. tr. 1. Desavisar. 2. Desacautelar-se, descuidar-se; desaperceber-se; desafazer-se de (o necessário). 3. Ficar sem (o necessário).
- caos s. m. 1. Confusão dos elementos antes da criação do universo. 2. Confusão. 3. Desordem. 4. Perturbação.
- exata adj. 1. Certo; em que não há erro, omissão, fraude. 2. Fiel. 3. Pontual. 4. Que cumpre bem o seu dever. 5. Perfeito, rigoroso.
- (...) m. b. 1. Depois eu conto.

domingo, 21 de março de 2010

La Mariposa está

Desobediente. Contanto o tempo em minutos e horas.

sábado, 20 de março de 2010

Hoje ou Em sonhos reais eu toco e sinto

E então, finalmente, choveu.
No sentido mais belo do que é chover.
É o anuncio do outono.
Da estação predileta.
Folhas secas e douradas como hão de ser.
Prenuncio de um lindo amanhecer.
Gosto da chuva, porque simplesmente acontece.
Cheiro bom. De coisa boa. De asfalto molhado.
A natureza humana simplesmente é.
Acontece.

quarta-feira, 17 de março de 2010

The blower's daughter

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time

And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes of you...
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time

And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes of you...
I can't take my eyes...

Did I say that I loa the you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind of you
I can't take my mind
My mind...my mind.
Til I find somebody new.


(apenas uma música de um breve momento)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Poupando clareza

da série "Olha para o céu, meu amor"

segunda-feira, 1 de março de 2010

Clara

http://debailarina.blogspot.com/2007/10/clara.html

Faz tempo que li.
E hoje reli.
Pensei.
A saudade dói.
É tempo intangível.
Que se faz presente pela ausência.
Senti.
Sorrisos de olhos fechados.
Caretas de bocas abertas.
Lembra?
Sinto sua falta amiga. (de alma)
Digo é bom conhecer alguém pelo avesso.
E se for preciso, vomitar.
Eu te conheço.
Veja só, Clara ainda não chegou.
Nem sei se chegará...
Porém sinto saudade dela.
Posso passar horas com Clara.
De pele macia, mãos pequenas e cheiro bom.
Imagino.
Potes de doces vazios.
Amiga, te pergunto em quantas ilusões eu me meti?
Talvez eu queira acordar deste tempo intocável.
Ou talvez eu só queira sonhar com Clara.

Com amor,
Januária

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010