sorrindo.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Feliz 2011!
E muita sede...
"O amor é a única razão da vida" (em Um copo de cólera, de Raduan Nassar)
Uma dose, por favor!
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Porque são necessárias as vírgulas
Um dia inteiro de chuva. Sol tímido. Eu quieta. O que é esse tudo? Tudo. De alguma forma me sinto ligada a você, o que automaticamente faz a minha pele corroer. Sinto frio na espinha. Medo. Não sei de ti. O que sei de mim? Um instante. E me noto construindo muros intransponíveis - um local infindo, para que eu me perca. Do que adianta tais versos? Tais palavras me emudecem sensações. Sentir. Céu nublado. Eu perdida. Chovo por dentro sem me molhar. E talvez eu prefira as idéias ao toque. A imagem ao olhar. Pelo medo. Tijolo sobre tijolo. Sentimentos tão contraditórios. Enterro o passado como se dele não fizesse parte. Mas receio o futuro. As lembranças ainda vivas. Alguém já disse “Amar o passado, enquanto o passado permite amar o futuro”. Meus altos muros me protejam!? Mas eu mesma já abandonei meu guarda-chuva, em um caminhar reservado com vontade de sorrir por aí. Uma vida inteira de vida. Tempo indefinido. Eu inquieta. Mexer no tudo é tão grande e assustador, quanto uma deliciosa tentação. A chuva cai incessante com breves pausas. A dor jorra meu veneno de asfalto molhado. O que é meu? O que é seu? Eu que já matei a razão ouço pingar no telhado. Gotas e gotas, no tempo em que o tudo escorre e me esvazia, me preparando para depois do ponto final.segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
...
"Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito,
o mal-estar de não entender o que se sente,
o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las."
Clarice Lispector, em "Mineirinho"
Ganhei um buraco. Não sei muito bem onde, mas o sinto comigo. Presente. No meu presente. No meu momento. "Alguns por ques" não me soltam a mão. Resistem! Dolorida dor de perder. Será mesmo perda? Sim eu caminho, mas sempre acabo de cara com aquele sorriso admirado a me pedir um abraço.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
Chovendo
Hoje acordei com gosto ansioso na boca, cheirando estranhesa de uma noite singular. Deve ser coisa desta cidade, que envolve sem deixar perceber. Me sinto um pouco engolida. Pequena. Tenho vontade de ventar. Longe daqui. Queria conseguir olhar para os meus passos de outro lugar. De cima. Do alto. Distante. Deixar velhas Michelles para que novas possam nascer. Com prazer. Depois de uma bela chuva!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
Ontem, Hoje, Amanhã
Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.
por Riobaldo em "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa
por Riobaldo em "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Instantes permitidos
Pode sussurrar agora...
Limpe o suor.
Isso sussurre!
No meu ouvido de preferência, porque quando eu acordar serei outra.
Boa noite.
Limpe o suor.
Isso sussurre!
No meu ouvido de preferência, porque quando eu acordar serei outra.
Boa noite.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Idealismo
Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor na Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?
Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
- Alavanca desviada do seu fulcro -
E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
O amor na Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?
Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
- Alavanca desviada do seu fulcro -
E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
Augusto do Anjos
PEQUENO MANIFESTO
E eu aqui pensando, pensando... Por que é difícil proferir a tal sentença célebre?
Quando reflexões deste tipo batem à minha porta, Augusto dos Anjos me traz redenção.
Ó o amor!
Ó a histeria do amor!
Ó amor corrompido! De valores hipócritas e tradições passadas, que para mim não fazem sentido.
Me reviro para buscá-lo e só o percebo quando o sinto.
O amor se manifesta.
Num carinho de uma noite fria e doente.
Na admiração.
Com minhas mãos inquietas, meus olhos inquietos.
Com minha boca inquieta o amor se manifesta.
Silêncio.
E por que eu não digo "eu te amo"?
Então respondo: Para que dizer palavras se a minha vontade (além da vontade) é de estar ao seu lado?
Quando reflexões deste tipo batem à minha porta, Augusto dos Anjos me traz redenção.
Ó o amor!
Ó a histeria do amor!
Ó amor corrompido! De valores hipócritas e tradições passadas, que para mim não fazem sentido.
Me reviro para buscá-lo e só o percebo quando o sinto.
O amor se manifesta.
Num carinho de uma noite fria e doente.
Na admiração.
Com minhas mãos inquietas, meus olhos inquietos.
Com minha boca inquieta o amor se manifesta.
Silêncio.
E por que eu não digo "eu te amo"?
Então respondo: Para que dizer palavras se a minha vontade (além da vontade) é de estar ao seu lado?
Em silêncio. Em nosso silêncio.
Será por que todos os "eu te amos" que eu ouvi valeram menos do que sua presença?
Será por que todos os "eu te amos" que eu ouvi valeram menos do que sua presença?
domingo, 19 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
(de Oswaldo Montenegro)
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Em uma breve madrugada de desejos transitórios
domingo, 22 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Em São Paulo...
Anseio. Fome. 3h55.
... Mais uma madrugada em claro de uma noite pouco iluminada. Hoje a lua resolveu se esconder. Ela que sempre me rouba o olhar. Ela que parece estar embriagada ao me escutar. Ela capaz de me desviar do rumo. Ela, minha companheira de vinho e confissões, me pregou uma peça. Sumiu. Busquei pelo céu. Em algum reflexo de água, mas foi inútil. Não a encontrei. Devo me conformar com esta solidão pelo resto de horas que faltam para o nascer do sol. O que faço? Penso em você. Em seus olhos. Mãos. Boca. Sexo. Assisto a uma mistura de lembranças. Sonhos. Vida. Vivo. Sim, eu vivo ao teu lado, no céu da tua boca. Cheirando a tua pose, teu andar desajeitado. Engolindo teu sorriso amarrado, tua pele excitada. Sentindo tua cara contrariada, teus apertos. Imagino. Invento histórias de nós dois e tudo parece menor. Como se o mundo estivesse às voltas e nós apenas continuássemos caminhando. Ilesos. A incerteza me vigia de longe, enquanto eu atravesso esta breve ou longa noite. Experimento um tremor cálido e tentador por não saber. Porém devo admitir eu adoro o escuro. Tateio. Estranhezas de um universo ambíguo. Feminino. Histérico. Louco a borbulhar flashs de poesia. Sem dor. Com dor. Libidinosas palavras que a cabeça conta e reconta. Sanguíneas. Esta ausência lunar deverá me modificar. E eu gosto disso. Respiro profanos deslizes nas profundezas da cidade. Nas profundezas das minhas entranhas. Que desordem adorável. Caótica, eu! Santifico o mal que há em mim como se dele não precisasse. Como se dele também não fizesse morada. Evoco limpidez. Sim, há pureza na lua. No entanto hoje, justamente hoje, ela resolveu se mascarar neste negro céu. Onde você está? Figurou-se em rastro. Em aroma lascivo a cutucar meu sono. Sinto teu corpo tocar o meu. Pêlo com pêlo. Gozo seu hálito. De cachaça vagabunda. Aperto sua camisa amarrotada, em intermitências de um corpo atordoado. Tremo. Não há frio, nem calor. Há apenas eu. Você? A lua? Eu apenas. Fecho os olhos para deixar que esta sensação me penetre aos poucos. Solidão. Deite comigo. Me possua. Desgaste o gasto. Saboreio uma invasão de fantasias. Jorro o vinho corrompido. Lambuzo meu suor. Você merecia um brinde agora, mas não resta uma gota. Noite bordada à mão. Ponto a ponto. De um tempo a dissipar cintilantes fagulhas de meu modo pouco regrado. Fito de perto. Ventilo imagens, sons, grunhidos. E eu sei estamos caminhando. Amanhecendo. Guarde tudo o que te confiei. Murmúrios de noites indignadas. Danadas. Indagadas. Desejadas. Sagradas. Maquiadas. Perturbadas. Ó casta lua reserve meus segredos, meus discursos, meus prenúncios, minhas sentenças, já que tudo é criação. Imaginação. O real morre a cada instante e se transforma em recordação. História. Poesia. Projeção futura. Promessa. Minha prosa. Meu verso violado. Meu riso inacabado. Meu horror desesperado. A única verdade é o Amor. Ele sim é inviolável. Você é o meu Amor materializado. Meu Amor heróico. Meu Amor sujo. Meu Amor puro. Meu Amor. Desatinada madrugada me escondeu a lua. Desatinada vida me mostrou você. Minha verdade escancarada. Minha vontade desmedida. Minha glória e minha ruína. Eu. Apenas.
Nesta madrugada o sol surgiu brilhando forte. Emanou luz.
Clareou, para enfim, findar-me.
(depois de Marçal Aquino em "Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios")
segunda-feira, 19 de julho de 2010
ECOA
Eu não quero merecer ninguém. E acrescento ninguém tem que me merecer. Para estar junto de alguém basta um querer mútuo. Uma vontade, além da vontade. Esse papo de merecimento é coisa de quem vê os outros por cima e me soa muito cristão. "É necessário o calvário para se atingir o paraíso". Enfim, para manter esta pequena sanidade que me resta eu prefiro o céu e o inferno caminhando lado a lado. Eu sou um pouco dos dois. Assumo.
Sinto o que minto
Tinto o que pinto
Bendito seja Maldito!
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