sexta-feira, 10 de julho de 2009
Sobre vontades III
quinta-feira, 9 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
Pelo Arquiteto
Sabe como é que eu imagino a felicidade? Acho que, quando a gente é feliz, a gente está junto de alguém que tem a pele muito fina e depois a beijamos nos lábios e tudo se encobre de uma névoa rósea e o corpo da pessoa se transforma numa multidão de espelhinhos e quando olhamos para ela somos refletidos milhões de vezes, e passeamos com ela montados nas zebras e nas panteras em volta de um lago e ela nos puxa por uma corda e quando olhamos para ela chovem penas de pombos, que, caindo no chão, relincham como potros jovens e entramos depois num quarto e começamos a passear de mãos dadas pelo teto... E as cabeças se cobrem de ouriços que nos fazem cócegas e os ouriços se cobrem de ouro, cheios de presentes, e escaravelhos de ouro.
(de Fernando Arrabal, em 'O arquiteto e o imperador da Assíria', porque este é um texto que me toca e retoca)
Mecanicidade na cidade ou Sobre vontades II
Deixar-se flagrar de modo inesperado.O amor filmado em partes.
Parte da vontade.
Como se subisse por escadas.
Como se quebrasse as paredes.
Refletindo o que se é?
O amor se constrói.
E naquele apartamento, o amor se monta.
(encantamento.afinidades.paixão.diferenças.distância...desejo. e o que virá? virá! e que não seja esta pobre linha)
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Sobre vontades I
Sim, vontade passa, mas me reconheço aos pés dela. Morreria súdita de todas as minhas vontades e obedeceria, sem objeções, todos os meus impulsos e instantes neste choque, nesta colisão que é viver.
(isso porque hoje eu acordei com uma mistura de gostos e sensações)
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Desarrumadas as coisas ficarão
Encarava o prazer com o mesmo rigor da dor. Mesmo assim buscava um amor. Um amor que ela não conseguia definir. Um amor tão ideal que jamais poderia existir. No seu quarto, roupas fora do armário, livros fora da estante, quadros fora da parede. A desordem aparente refletia sensações profundas da palpitante jovem. Sua alma desorganizada pelos sentimentos aflorados por um homem estava inquieta. Apenas uma paixão é capaz de desconstruir uma vida inteira.
Tudo para fora. Tanto por fazer. Seu corpo pequeno mal continha tamanha vibração. Sabe aquela coisa que não cabe dentro da gente? Sabe quando a gente sente a barriga invadida por borboletas atrevidas? “Estou viva”. “Viva”. Ana somente supunha a vida. Porém, entregar-se significaria arriscar-se a decepção. Significaria aceitar a morte. Preferiu, então, guardar apenas a possibilidade de ser, a improbabilidade da realização. Preferiu, então, a eternidade.
E aquele sujeito um tanto desajeitado, o Carlos, que cuspia no chão e usava botas desbotadas acompanhadas de camisa amassada decidiu esperar por uma possível ordem da moça. Falava com os olhos quando a olhava. Sorria de verdade quando a encontrava. Ana, somente ela o fazia melhor.
domingo, 17 de maio de 2009
É sempre bom lembrá-la
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Por Zé Celso
Por Astolfo
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Enquanto vovó faz comida
Anseios subtraídos ou *An Seios

Clarice Lispector
Tiro um amor despreparado.
Das máscaras
Arranco a meia luz de uma noite covarde.
Tomo banho apenas para sagrar-me limpa
Esquecendo-me de que suja andei por ai
Desamparada
Embriagada, talvez
Desesperada.
Dos sonhos
Peço uma clara manhã preguiçosa,
Com véus e promessas inacabadas
Exacerbadas
Malditas
Esquecidas.
Do ar busco apenas inspiração
Como cura dos prazeres outrora perdidos.
Agonia não tem face, pois
Porém sinto suas mãos frias
Nos meus seios
Sussurrantes
Que abrigam um céu inóspito
Insólito.
* An ou Anu era o deus do céu entre os Sumérios. Filho de Anshar e Ki-shar, esposo de Antu (Ninhurdag) com que gerou Enlil, era o deus mais venerável e velho entre os Anunnaki, fazendo parte de uma importante tríade divina, integrada também por Enlil, o deus dos ventos, e Enki (Ea), o deus das águas.O seu nome parece significar precisamente céu, ou alternativamente, o zénite do Sol. Era um deus cultuado em toda a Suméria, havendo santuários seus espalhados por todas as cidades do país.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Parte de um diálogo de devagações a respeito de "Os Sertões", texto de Euclides da Cunha adaptado por José Celso Martinez Corrêa
terça-feira, 21 de abril de 2009
Blah!
Georg Büchner
Nauseando-se.
Nauseando-se.
Nauseando-se.
Que venha o vômito!
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Enraizando
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Cicatrizes
Desistiram-se.
Despediram-se.
Apenas, aspirantes a amantes.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Como uma borboleta que só vive 24h
Com amor,
Michelle


