sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Em São Paulo... TOOM!

Na cidade grande
Entre retas e curvas confusas
Entre encontros e desencontros cotidianos
Há o destino.
Neste misto de sins e nãos
Neste sobe e desce ansioso
Neste vai e vem gostoso
Sempre haverá o destino.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Apenas uma pausa (petit)

Numa dessas madrugadas longas e alegres, em um bar qualquer da Vila Madalena, em São Paulo, conversava eu e alguém sobre arte. Sobre o fazer teatral. Não faltaram indagações sobre o papel do teatro. Confesso que para mim essa coisa de papel/função é muito chata, mas confesso também que é essencial parar e pensar sobre tudo. E confesso mais ainda me pego questionando, me perguntando com um puta dedo apontado na cara “E o que você quer fazer com isso? E para que?” E é sempre ela, aquela velha consciência que aparece, uma conhecida exigência interna e externa, a razão de um fazer bonito, sabe. Transformação social. Reflexão sobre o mundo. Transgressão. E por que não a tal revolução? Ideais molhados a uma cerveja meio gelada, numa madrugada meio suja embalaram e seguiram noite adentro. Ideais verdadeiros, de alma. Acredito! "Sem forma revolucionária não há arte revolucionária", dizia Maiakóvski. E mais "Teatro é uma lente de aumento". Ah Michelle Santa ingenuidade! Sim é um estímulo e tanto, um enorme pedal, e sempre será meu Norte, porém digo parece confortar outros quereres. Disfarçar aqueles mais mesquinhos. Pequenos. E egoístas? Ah o prazer, ele nos trai tanto. Sim assumo a culpa, mas adianto as nossas escolhas sempre partirão de nossos umbigos, primitivamente. Que eu queime na fogueira dos altos e baixos infernos. Ora, Dionísio não celebrou a vida, regada a um bom vinho? A arte rompe. Mete o dedo. Faz feder. A arte... Ó arte, ato que exige dedicação, que é desgastante, que tenta - muitas vezes invariavelmente - preencher uma insatisfação latente e talvez pouco conhecida da criatura criadora, e aqui ponho o deslumbramento de lado, bem no canto. Não haverá arte sem comprometimento, porém digo a arte “intelectual” para inglês ou colegas camaradas verem pouco me agrada. É como estar em uma sala de reuniões mostrando e discursando para meus amigos sobre o que os alguéns lá de fora deveriam saber e fazer na minha estudada opinião é claro. O que é alienação? Vá Michelle siga sem culpa. Ta bom, ta bom, vou deixar o Manifesto Comunista em casa. Sim é inspiração, mas aviso: por aí espalho sorrisos, o feio, mas também o belo, sensações, ah e como elas são importantes. Recentemente assisti à "Memória da Cana", do Grupo Teatral Os Fofos Encenam e ao contrário de cansados "Nelsons Rodrigues" montados por aí, esta peça baseada em Álbum de Família é um convite a uma vivência, a uma experiência, cutucando e explorando sensações. Me impressionou muito. Saí com a cabeça pilhada, sem conseguir traduzir em palavras o que havia acabado de acontecer, lembrei da conversa daquela longa madrugada e creio houve redenção. Servir para alterar o estado de alguéns lá de fora já me valerá de um tanto, mesmo que momentaneamente. Eu sou atriz, chafariz! Ai meu nariz.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ruído

"Os apaixonados fabricam para si o esquecimento do mundo"
(Em O Amor Segundo B. Schianberg)

Deleite

Arte respira vontade inspira desejo espirra vômito, gozo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Essa mania de me confessar ou Confissão IV

Foram muitas tintas acompanhadas de um sorriso largo e satisfeito, um dom azedo, um olhar vivo e sereno de alguém. Nesta noite, eu sujei as mãos, tomei um gole daquele vinho e andei pela serena e estimulante madrugada pintada.

(uma obra coletiva: papel kraft, tintas e outras coisinhas mais)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Rita

O acaso do caso da Rita rueira
Pegou de surpresa a menina faceira
Descendo a ladeira de pé no chão
Com a rosa roubada na mão

Dona Jacinta que dava de pinta
Espreitava da esquina a doce menina
A gargalhar de satisfação
A saltitar tamanha a emoção

Quando de repente cruza seu caminho
A dona do jardim surrupiado
De braços cruzados
Rita, sem medo, encara de frente

Esbarra na gorda barriga com o dente
Daquela que lhe pega pelo vestido
Para lhe aplicar um furioso castigo
Pelo erro recém cometido

Num suspiro torto
A encurralada menina
Finge desmaiar

Num abraço fofo
A rabugenta mulher
Começa a gritar

Ninguém para ajudar!

Ao se livrar dos braços apertados
Daquela que agora se pos a chorar
A sapeca sardenta faz uma careta
E se põe a cantar

Com fé, escapa da cinta de Dona Jacinta
Beija a rosa quase perdida
Acha graça de tanta arruaça
E dá no pé sem despedida

domingo, 2 de agosto de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

O romântico e a revolucionária (R.R.)

Enquanto ele idealiza, ela chama para o combate, convoca seus soldados, abre o peito - dificilmente pensa em recuar - e segue na linha de frente.
Quase sem estratégia, a revolucionária questiona, como se em vez de arma usasse alma. De alma e ideal o romântico se faz e refaz, e para surpresa da tal revolução, ele coloca seus tambores para rufar. Uma bela canção.
O romântico talvez espere que ela se arme. A revolucionária talvez espere que ele se desarme. E talvez, então, este choque se complete para além da alma e enfim encontre o corpo.

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CANÇÃO DA MAIS ALTA TORRE

Que venha, que venha
O tempo da paixão.

Tive tanta paciência
Que para sempre esqueço.
Temor e penitência
Aos céus partiram.
E a sede doentia
Me escurece as veias.

Que venha, que venha
O tempo da paixão.

Assim o prado
Ao esquecimento deixado,
Engrandece, e floresce
De joio e incenso,
Ao zumbir tenso
Das moscas sujas.

Que venha, que venha
O tempo da paixão.

(porque é para a revolucionária que gosta muito de Arthur Rimbaud)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Peladinha

Catarina abaixa no chão e começa recolher com as mãos os cacos da vidraça estilhaçada por uma bola despretensiosa lançada pelos pés de um garoto ansioso em marcar o gol da virada. Um a um era retirado do chão, enquanto a essa altura, a molecada já havia abandonado a rua deixando o placar empatado 1 a 1.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Hoje acordei com saudades, das boas.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Moraria nesta hora

17h10. Minhas moléculas ficam agitadas nesta hora. É a melhor hora do dia.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sobre vontades III

Então, um desaparecido passa a ser uma foto. Passa a ser aquele momento guardado pela foto. Eu não sei quanta falta sentirei de uma foto que guardasse este momento. Foto é uma forma de arrumar algo desarrumado, materializar expectativas. Tocar em sonhos. Olhar para as sensações. Temo perder a memória disso tudo, deste estado bruto e ilimitado que me sou por hora e por agora. Quero foto desta coisa inteira. Indefinida. Inacabada. De partida.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Só para constar

Acabo de chupar limão e reafirmo o meu gosto pelo azedo. Rá!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Pelo Arquiteto

Sabe como é que eu imagino a felicidade? Acho que, quando a gente é feliz, a gente está junto de alguém que tem a pele muito fina e depois a beijamos nos lábios e tudo se encobre de uma névoa rósea e o corpo da pessoa se transforma numa multidão de espelhinhos e quando olhamos para ela somos refletidos milhões de vezes, e passeamos com ela montados nas zebras e nas panteras em volta de um lago e ela nos puxa por uma corda e quando olhamos para ela chovem penas de pombos, que, caindo no chão, relincham como potros jovens e entramos depois num quarto e começamos a passear de mãos dadas pelo teto... E as cabeças se cobrem de ouriços que nos fazem cócegas e os ouriços se cobrem de ouro, cheios de presentes, e escaravelhos de ouro.

(de Fernando Arrabal, em 'O arquiteto e o imperador da Assíria', porque este é um texto que me toca e retoca)

Mecanicidade na cidade ou Sobre vontades II

Deixar-se flagrar de modo inesperado.
O amor filmado em partes.
Parte da vontade.
Como se subisse por escadas.
Como se quebrasse as paredes.
Refletindo o que se é?
O amor se constrói.
E naquele apartamento, o amor se monta.

(encantamento.afinidades.paixão.diferenças.distância...desejo. e o que virá? virá! e que não seja esta pobre linha)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sobre vontades I

Do amargo gosto de uma madrugada quase fria e paulistana experimento o azedo encanto de me dar. Me entregar. Sentir. Gozar de uma vontade.
Sim, vontade passa, mas me reconheço aos pés dela. Morreria súdita de todas as minhas vontades e obedeceria, sem objeções, todos os meus impulsos e instantes neste choque, nesta colisão que é viver.

(isso porque hoje eu acordei com uma mistura de gostos e sensações)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Desarrumadas as coisas ficarão

Ana era a única virtude de Carlos. Moça de perfil bem alongado, sorriso de lado e um jeito pra lá de abusado. Costumava fumar admirando o cigarro, só para ver a fumaça se esvair lentamente, enquanto soltos, os pensamentos iam junto. A abstração vivenciada neste momento permitia passos mais longos, que jamais teriam alcance. Nunca se sentira pronta para viver uma paixão. E qual mulher se sente?

Encarava o prazer com o mesmo rigor da dor. Mesmo assim buscava um amor. Um amor que ela não conseguia definir. Um amor tão ideal que jamais poderia existir. No seu quarto, roupas fora do armário, livros fora da estante, quadros fora da parede. A desordem aparente refletia sensações profundas da palpitante jovem. Sua alma desorganizada pelos sentimentos aflorados por um homem estava inquieta. Apenas uma paixão é capaz de desconstruir uma vida inteira.

Tudo para fora. Tanto por fazer. Seu corpo pequeno mal continha tamanha vibração. Sabe aquela coisa que não cabe dentro da gente? Sabe quando a gente sente a barriga invadida por borboletas atrevidas? “Estou viva”. “Viva”. Ana somente supunha a vida. Porém, entregar-se significaria arriscar-se a decepção. Significaria aceitar a morte. Preferiu, então, guardar apenas a possibilidade de ser, a improbabilidade da realização. Preferiu, então, a eternidade.

E aquele sujeito um tanto desajeitado, o Carlos, que cuspia no chão e usava botas desbotadas acompanhadas de camisa amassada decidiu esperar por uma possível ordem da moça. Falava com os olhos quando a olhava. Sorria de verdade quando a encontrava. Ana, somente ela o fazia melhor.

domingo, 17 de maio de 2009

É sempre bom lembrá-la

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa... Não altera em nada porque no fundo a gente não está querendo alterar nada. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro"
Clarice Lispector

sexta-feira, 8 de maio de 2009


Dentro do carro, em um canto qualquer da cidade de São Paulo, entre um farol e outro, ao som de 'Novos baianos' Zé Celso, Astolfo e eu conversávamos sobre nós.

Por Zé Celso

O teatro não pode ser um instrumento de educação popular, de transformação de mentalidades na base do bom-meninismo. A única possibilidade é exatamente pela deseducação, provocar o espectador, provocar sua inteligência recalcada, seu sentido de beleza atrofiado, seu sentido de ação protegido por mil e um esquemas teóricos abstratos e que somente o levam à inefcácia.